Onde a Saudade Me Enterra em Você
Há nomes que o tempo não apaga,
apenas sussurra em voz baixa dentro do peito,
como se o coração ainda soubesse o caminho
de volta para aquilo que nunca voltou.
Eu carrego você em lugares que ninguém vê,
não na pele, não nas mãos,
mas naquele canto esquecido da alma
onde a saudade faz morada permanente
e se recusa a partir.
Dizem que o tempo cura,
mas ninguém explica o que fazer
quando o tempo apenas ensina a conviver com a dor
como se ela fosse parte do corpo,
como se ela fosse sangue correndo em lembranças.
Você foi embora,
mas deixou em mim um tipo de silêncio que grita,
um vazio cheio de vozes suas,
um abraço que nunca terminou de se desfazer.
E eu sigo…
como quem ama no escuro,
como quem procura uma luz que já sabe que não volta,
mas mesmo assim continua chamando pelo nome
como se o universo pudesse se arrepender.
A saudade não é só ausência,
é presença que não toca,
é beijo que não encosta,
é promessa que ainda respira
mesmo depois de quebrada.
E dói…
dói como se cada lembrança tivesse espinhos,
como se cada memória fosse uma faca doce
me lembrando que você existiu
e isso já basta para me destruir aos poucos.
Eu te amo ainda assim.
Não do jeito leve, bonito ou possível,
mas do jeito que machuca e insiste,
do jeito que não aprende a desistir,
do jeito que não sabe esquecer.
Se o amor tem túmulos,
você mora em todos eles dentro de mim.
E mesmo enterrado,
você ainda me faz viver de saudade.
Porque algumas pessoas não vão embora…
elas ficam,
mesmo quando já não estão.
E eu…
eu sigo sendo o lugar onde você ainda acontece.
—Paulinha Cunha—
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