ONDE A SAUDADE NÃO APAGA O TEU NOME
Existem saudades que não dormem.
Elas não descansam, não esquecem, não se rendem ao tempo.
Elas vivem acordadas dentro do peito, como se o coração tivesse virado uma casa onde a luz nunca se apaga.
Existem amores que continuam vivendo mesmo depois da morte.
Não a morte do corpo… mas aquela morte silenciosa dos encontros que não aconteceram, das palavras que ficaram presas na garganta, dos adeuses que nunca foram ditos olhando nos olhos.
E existem almas que se procuram tanto…
que atravessariam séculos apenas para se encontrar.
Não importa o tempo, não importa a distância, não importa quantas vidas sejam necessárias: elas sempre voltam para o mesmo destino quebrado.
Eu ainda te encontro nos lugares mais inesperados.
No som de uma música antiga que ninguém mais lembra.
No cheiro da chuva caindo como se o céu estivesse chorando comigo.
No silêncio entre uma lembrança e outra, onde o teu nome ainda ecoa sem pedir permissão.
Porque tem amores que não acabam… apenas mudam de forma.
Viraram ausência.
Viraram lembrança.
Viraram saudade que não sabe ir embora.
E eu aprendi que algumas histórias não foram feitas para terminar.
Foram feitas para doer devagar, como se o tempo tivesse medo de encerrar o que ainda pulsa dentro da gente.
Talvez em outra vida, em outro tempo,
a gente não tivesse se perdido no meio do caminho.
Talvez eu não tivesse te amado com essa intensidade que não cabe no mundo.
Talvez você tivesse ficado… mesmo sem promessas, mesmo sem destino.
Mas aqui…
nós fomos apenas dois encontros interrompidos pela vida.
E ainda assim, mesmo depois de tudo,
eu continuo te reconhecendo em mim.
Como se a saudade fosse o único lugar onde você ainda mora inteiro.
E eu, metade em ruínas…
continuo te procurando sem coragem de te esquecer.
Porque existem amores que não terminam.
Eles apenas aprendem a doer em silêncio.
—Paulinha Cunha—
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