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Onde o Amor Não Teve Coragem de Ficar

Onde o Amor Não Teve Coragem de Ficar
Existe um lugar em mim
onde você ainda mora —
não como presença,
mas como ausência que respira.

É um espaço silencioso,
cheio de ecos do que não fomos,
de promessas que morreram antes de nascer
e de palavras que nunca tiveram coragem de sair da boca.

A gente se perdeu
não por falta de amor,
mas por excesso de medo.

Medo de dar certo,
medo de se entregar,
medo de olhar no fundo dos olhos
e reconhecer ali um lar.

E talvez tenha sido isso…
a gente era casa demais um pro outro,
e ninguém nos ensinou
a morar em alguém sem destruir tudo.

Eu ainda lembro do teu riso
como quem lembra de um verão
que nunca mais voltou.
E dói —
dói de um jeito manso e cruel,
como uma saudade que não grita,
mas também nunca vai embora.

Tem dias que eu finjo
que já te esqueci.
Sorrio para outras pessoas,
ensaiando uma felicidade leve,
como se o teu nome não pesasse
em cada silêncio meu.

Mas à noite…
ah, a noite é uma traiçoeira.

Ela me devolve você em detalhes:
no cheiro que ficou na memória,
na forma como meu nome
ficava mais bonito na tua voz,
no jeito que nossos dedos se encaixavam
como se o mundo finalmente fizesse sentido.

E então eu percebo
que não superei —
só aprendi a esconder melhor.

Porque amar você
foi como aprender a respirar debaixo d’água:
bonito, intenso…
mas impossível de sustentar pra sempre.

E mesmo assim,
se você voltasse agora,
com esse olhar meio perdido
e esse jeito de quem nunca soube ficar,
eu ainda abriria a porta do meu peito
sem pedir explicações.

Isso não é fraqueza…
é amor mal resolvido.

É esse tipo de sentimento
que não termina,
só se transforma em saudade crônica,
dessas que vivem na pele
como cicatriz invisível.

A verdade é que a gente não acabou —
a gente ficou inacabado.

E talvez seja isso
que mais machuca:

não foi um fim…
foi um “quase” que nunca teve coragem de virar “para sempre”.

E eu sigo…
carregando você em mim
como um verso que nunca se completa,
como um livro que perdeu o final,
como um amor que ainda insiste
em existir mesmo depois de tudo.

Porque algumas histórias
não foram feitas para dar certo —
foram feitas para marcar.

E você…
foi a marca mais bonita
que eu nunca consegui apagar.

—Paulinha Cunha—

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