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Paixão Sem Retorno

Paixão Sem Retorno

Há amores que chegam como brisa suave,

quase um sussurro tímido no canto da alma,

e há aqueles que invadem —

tempestades intensas,

incapazes de pedir licença,

impossíveis de ignorar.

Você foi assim.

Não bateu à porta,

não esperou convite,

simplesmente entrou

e fez morada onde antes havia silêncio.

E eu, que sempre fui abrigo de mim mesma,

me perdi nos teus passos,

me desfiz nas tuas palavras,

me reconstruí no calor do teu olhar.

Mas há paixões que não voltam.

Que não retornam ao ponto de origem,

que não se refazem,

que não pedem desculpas pelo estrago que deixam.

A nossa foi dessas.

Intensa demais para durar,

verdadeira demais para ser esquecida,

dolorosa demais para ser revivida.

Era como fogo em campo seco —

belo à distância,

devastador por perto.

Te amar foi mergulhar sem saber nadar,

foi sorrir com lágrimas escondidas,

foi acreditar que o infinito cabia

no espaço breve de dois corações descompassados.

E eu acreditei.

Acreditei nas promessas não ditas,

nos toques que falavam mais que palavras,

nos silêncios que gritavam sentimentos.

Mas paixão sem retorno

não conhece permanência.

Ela passa,

ela marca,

ela ensina —

e vai.

Deixa rastros, cicatrizes, memórias…

e um vazio que não se preenche,

apenas se aprende a conviver.

Hoje, já não te procuro nas esquinas do pensamento,

mas confesso…

ainda tropeço em lembranças tuas

quando a noite insiste em ser longa demais.

Porque certas paixões

não foram feitas para durar —

foram feitas para transformar.

E você me transformou.

Me ensinou que intensidade não garante eternidade,

que amar também é perder,

e que algumas histórias

nascem destinadas a não ter volta.

E mesmo assim…

valeu cada segundo.

Porque entre a razão e o caos,

entre o começo e o fim,

entre o que fomos e o que nunca seremos…

existiu algo real.

Algo que o tempo não apaga,

que a distância não desfaz,

e que o coração — teimoso —

ainda insiste em chamar de amor.

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—Paulinha Cunha—