Paixões que Morrem Lentamente
Há um silêncio que se espalha entre nós,como folhas secas que dançam sem direção no outono.
O tempo, implacável, corrói cada gesto,
cada promessa sussurrada à meia-luz,
e aquilo que parecia eterno se desfaz
como tinta na chuva, como lembrança esquecida.
Lembro das noites em que nossos olhares
eram fogueiras que queimavam sem queimar,
e hoje restam brasas apagadas
entre suspiros que não encontram ouvido,
entre mãos que se afastam sem querer.
Amar dói quando a vida insiste em mudar,
quando o vento arranca das árvores
a cor vibrante das folhas jovens,
e as paixões, antes fogos de artifício,
se tornam sombras longas
que se arrastam pelo chão do coração.
É um morrer lento, sem aviso,
como se a vida quisesse ensinar
que nem toda chama resiste à rotina,
nem toda promessa suporta o tempo,
e nem todo amor escapa das fissuras do silêncio.
Recordo do riso que preenchia o ar,
do toque que fazia o mundo inteiro desaparecer,
do calor que incendia a alma
e da ternura que fazia doer de tão pura.
Agora, tudo isso é eco,
um eco que grita dentro do peito
e não encontra resposta.
O que nos resta?
Memórias? Talvez.
Sorrisos guardados em gavetas trancadas,
cartas que nunca mais serão lidas,
e aquele perfume de quem fomos,
misturado ao cheiro da saudade.
Ah, as paixões que morrem lentamente
não anunciam sua partida.
Elas se esgueiram entre os minutos,
desbotam nas manhãs silenciosas,
se despedem sem drama, sem culpa,
apenas desaparecem,
como a maré que leva areia sem deixar rastros.
E ainda assim, mesmo com o coração quebrado,
a esperança insiste em florescer,
porque, em algum canto do mundo,
alguma chama nova se acenderá,
e novas paixões nascerão
para nos lembrar que o amor, mesmo que frágil,
é eterno na sua tentativa de existir.
#PaixõesQueMorrem
#AmorEPertença
#LembrançasQueFicam
#SaudadeQueQueima
#CoraçãoEmChamas
—Paulinha Cunha—