Perfume de Memórias
Há um perfume invisível no ar,que não se compra, não se vê,
mas invade o peito de repente
como quem sabe exatamente
onde a saudade mora em você.
É doce…
como o riso de um dia leve,
como o abraço que ficou guardado
no silêncio das lembranças
que o tempo nunca levou.
É forte…
como a dor de um adeus não dito,
como a ausência que ecoa
em cada canto da alma
quando a noite insiste em lembrar.
Perfume de memórias
é feito de instantes eternos,
de olhares que falaram mais que palavras,
de mãos que se encontraram
mesmo quando o mundo dizia não.
É o cheiro da chuva
num dia que marcou a vida,
é o vento trazendo vozes antigas
que ainda sussurram seu nome
em cada batida do coração.
E eu me perco…
me perco nesse aroma invisível
que me leva de volta
a lugares que já não existem,
mas vivem inteiros dentro de mim.
Lembro de risos soltos,
de promessas feitas ao acaso,
de sonhos que dançavam livres
antes de aprenderem a cair.
Ah… esse perfume…
que não evapora,
não se dissipa,
não se esquece.
Ele permanece,
teimoso e fiel,
como quem se recusa a partir
mesmo depois que tudo se foi.
E quando penso que passou,
ele volta…
sutil, inesperado, intenso,
como uma saudade vestida de lembrança
me chamando pelo nome.
Talvez a vida seja isso:
um jardim de instantes
onde cada memória floresce
com seu próprio perfume —
algumas suaves,
outras quase insuportáveis.
Mas todas…
todas eternas de algum jeito.
E eu guardo comigo
cada essência que vivi,
porque no fundo sei
que são elas que contam
quem eu fui…
e quem ainda sou.
Perfume de memórias
é o que fica
quando tudo o mais vai embora.
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#PoetizandoSentimentos
—Paulinha Cunha—