PROVOCANTE
Eu não vim para ser silêncio em tua rotina,
nem sombra discreta perdida na esquina dos teus olhos.
Eu vim como chama que não pede permissão,
como vento que bagunça o que estava em ordem,
como um talvez que se transforma em “vem”.
Eu sou o tipo de presença que desarma certezas,
que faz o coração esquecer o próprio compasso,
que transforma minutos em eternidade lenta
quando a tua mente ousa me imaginar.
Não me subestime quando eu sorrio de leve…
há tempestades escondidas em quem sabe se conter.
E eu me contenho só até o instante exato
em que percebo que também me provocas.
Porque provocante não é o toque,
é o pensamento que não vai embora.
Não é o olhar…
é o depois do olhar,
quando tudo ainda vibra mesmo em silêncio.
Eu sou pergunta sem resposta fácil,
sou livro aberto na página mais perigosa,
sou aquilo que se sente antes de entender.
E talvez seja isso que assusta:
eu não caibo em metade,
não aceito morno,
não acredito em quase.
Ou é inteiro… ou nem começa.
E quando eu chego, não peço licença ao destino,
apenas passo…
e deixo rastros na memória de quem ousou me sentir.
Se me lês devagar, já não há volta.
Porque palavras também sabem seduzir
quando escolhem ficar.
E eu escolhi ficar…
por um instante longo demais
dentro de quem se atrever a me imaginar.
— Paulinha Cunha
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