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QUANDO A ALMA CHORA

QUANDO A ALMA CHORA
Quando a alma chora,
não é só o coração que sangra,
mas cada pedaço de silêncio que guardamos
em gavetas trancadas com medo de esquecer o que fomos.

Quando a alma chora,
o vento parece sussurrar segredos antigos,
e as lembranças se tornam ondas que quebram
sobre a areia frágil do nosso peito.

Há lágrimas que não descem,
há gritos que ficam presos
entre o que sentimos e o que mostramos,
entre o que amamos e o que perdemos.

Quando a alma chora,
até o sol parece tímido,
e a lua se curva diante da intensidade
de um coração que se parte
sem pedir licença.

Caminhamos por ruas desertas de esperança,
com passos que ecoam no vazio,
com memórias que nos seguram
como correntes de ouro que brilham mas pesam.

Quando a alma chora,
não há hora marcada,
não há consolo que chegue rápido o suficiente,
não há palavras que devolvam o que se foi.

Mas há uma beleza triste nisso,
uma poesia silenciosa que pulsa,
uma força invisível que nos lembra
que ainda respiramos,
mesmo quando tudo parece desmoronar.

Quando a alma chora,
descobrimos a profundidade de nós mesmos,
o poder de sentir, de quebrar, de renascer.
Cada lágrima é um fio de luz que nos guia,
cada suspiro, uma promessa de recomeço.

E mesmo que a noite seja longa,
e o coração pareça frágil demais,
há dentro de nós um oceano de coragem,
uma chama que recusa apagar,
uma certeza de que dias claros virão.

Quando a alma chora,
não é fraqueza,
é arte, é vida, é a pura expressão
de sermos humanos, inteiros, complexos e eternos.

Porque a alma que chora,
também sabe rir, amar, voar,
e no fim, transforma cada dor em poema,
cada lágrima em estrela,
cada silêncio em canção que ecoa
além de nós, além do tempo, além do medo.

—Paulinha Cunha—

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