QUANDO O AMOR NÃO TERMINA, SÓ SE PERDE NO TEMPO
Há sentimentos que não sabem ir embora.
Eles apenas aprendem a se esconder dentro da gente.
Como se a alma tivesse portas trancadas por fora
e lembranças morando com chaves invisíveis por dentro.
Eu não te esqueci.
Eu apenas aprendi a fingir que sobrevivo.
Porque existem amores que não acabam…
eles ficam.
Ficam no jeito que a noite cai silenciosa
e me pergunta onde você está.
Ficam no eco do teu nome
batendo nas paredes do meu peito
como se ainda fosse casa.
E eu viro ausência tentando parecer presença.
Viro sorriso tentando esconder um colapso inteiro por dentro.
Viro rotina…
mas por dentro continuo sendo falta.
Saudade não é lembrança.
Saudade é o que sobra quando o amor não encontra saída.
E o meu amor por você nunca encontrou.
Talvez porque você tenha partido
mas deixou sua forma em mim como tatuagem invisível,
daquelas que nem o tempo ousa apagar.
Tem dias em que eu juro que te superei.
Mas basta um silêncio parecido com o teu
e tudo desaba de novo dentro de mim.
Como se o coração dissesse:
“mentira… você ainda está aqui.”
E você está.
Mesmo sem estar.
Porque há pessoas que não moram mais conosco,
mas continuam morando nos nossos dias.
E eu me pergunto:
quantas versões de mim ainda te esperam em segredo?
quantas vezes eu me refiz só pra te esquecer
e falhei em todas?
Talvez a vida seja isso…
um eterno desencontro entre o que a gente sente
e o que a gente finge que superou.
Eu te escrevo em pensamentos que nunca envio.
Te abraço em memórias que nunca acontecem de novo.
E te perco todos os dias
na tentativa inútil de te esquecer.
Mas a verdade mais cruel é simples:
alguns amores não são feitos para ficar juntos…
são feitos para doer para sempre.
E mesmo assim, eu ainda te amo.
No passado.
No presente.
E no que sobrou de mim.
Porque saudade também é amor…
só que sem endereço.
E o meu coração continua te procurando
em todos os lugares onde você nunca mais vai estar.
—Paulinha Cunha—
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