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Quase

Quase

Eu lembro do primeiro ano,

mas não como algo grande,

é mais tipo um detalhe que ficou.

Eu lá no meu canto,

tentando passar despercebido,

e você…

nem tentando, só sendo você.

E foi aí que começou,

não tudo de uma vez,

foi devagar—

numa risada,

num “ei”,

numa conversa nada a ver

que pra mim virou tudo.

Eu nunca falei

e nem ia falar,

porque às vezes a gente já sabe

antes mesmo de tentar.

Eu virei teu melhor amigo,

e você falava isso toda feliz,

como se fosse algo incrível.

E pra você era.

Pra mim… quase.

Sempre faltava alguma coisa,

sempre faltava eu ser mais.

Aí veio o terceiro ano,

e veio aquilo também:

você gostando de outro.

Eu lembro de sorrir,

de dizer “que bom”,

como se fosse de verdade.

Mas não era.

Por dentro

foi meio que desmoronando,

só que quieto.

Eu te ouvi falar dele,

te ajudei,

dei conselho,

até ri junto

de coisas que doíam.

Porque gostar de você

também era isso:

querer te ver bem,

mesmo quando não era comigo.

Quando acabou,

eu pensei besteira,

tipo:

“e se agora…?”

Mas nem deu tempo.

Você apareceu de novo,

feliz de novo,

só que dessa vez

com ele—

meu melhor amigo.

E eu fiquei ali,

no meio,

sem ser nada.

Sorri de novo,

sempre sorrindo,

sempre fingindo.

Depois que acabou,

eu já nem sabia mais direito

o que eu sentia.

Agora eu tento esquecer,

tento não olhar,

não pensar,

não imaginar coisa que nunca existiu.

Mas aí você ri…

e volta tudo

lá do começo.

E no fim,

eu acho que entendo:

não é só você não me ver,

é que eu nunca fui

o tipo de pessoa

que alguém escolhe.

Então eu fico aqui,

tentando apagar

uma coisa

que não apaga.

E talvez nem seja sobre tempo…

Talvez

seja só eu mesmo.