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QUASE NINGUÉM ME NOTA

QUASE NINGUÉM ME NOTA
Quase ninguém me nota…
e ainda assim eu sinto tudo demais.
Sinto quando o silêncio pesa na sala vazia,
quando o coração fala baixo
e ninguém se dá ao trabalho de escutar.

Eu caminho entre pessoas
como quem atravessa uma chuva fina invisível,
ninguém percebe que estou me molhando por dentro,
ninguém vê que tem saudade escorrendo nos meus pensamentos
como se fosse algo que nunca cicatriza.

E eu amo…
ah, como eu amo de um jeito desorganizado, inteiro,
um amor que não coube em resposta,
nem em promessa,
nem em presença.

Ficou mal resolvido em mim,
como porta entreaberta que o vento insiste em bater,
fazendo barulho na madrugada da alma.

Às vezes penso que o amor deveria ter manual,
ou pelo menos um aviso:
“cuidado, isso vai doer depois.”
Mas não tem.

E eu fui inteira sem saber,
fui presença mesmo sendo ausência para alguém,
fui intensidade em um mundo que só queria leveza.

Agora sobra essa saudade…
essa saudade que não pede licença,
que chega e senta do meu lado
como se também morasse aqui dentro.

Ela me olha nos olhos
e me pergunta por que eu ainda espero,
por que eu ainda lembro,
por que eu ainda sinto.

E eu não tenho resposta.

Porque tem coisas que não se explicam,
só se carregam.

Quase ninguém me nota…
mas tudo em mim ainda nota você.
O jeito, o riso, o vazio depois,
o eco do que poderia ter sido
e não foi.

E mesmo assim eu sigo,
com esse amor mal resolvido pulsando em mim,
como se a dor fosse também uma forma de lembrar
que eu senti de verdade.

Que eu fui verdade.
Que eu amei de verdade.
Mesmo que quase ninguém tenha notado.

—Paulinha Cunha—

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