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Quem sente demais, sempre perde o sono primeiro… Tem saudades que chegam…

Quem sente demais, sempre perde o sono primeiro…

Tem saudades que chegam cedo.

Antes mesmo do sol nascer, antes do café esfriar na mesa, antes da cidade acordar…

Elas chegam silenciosas, sentam no peito da gente e apertam devagar, como quem conhece exatamente onde dói.

E eu confesso…

Tem manhãs em que eu acordo tentando esquecer você.

Mas basta o vento tocar a janela, basta uma música antiga tocar baixinho em algum lugar, basta o mundo ficar quieto por alguns segundos…

E lá está você outra vez, morando em tudo que eu tento fugir.

O pior tipo de amor não é aquele que acaba.

É aquele que continua vivo dentro da gente mesmo depois do adeus.

Porque existem pessoas que vão embora…

Mas deixam a alma delas espalhada pelos cantos da nossa vida.

Você ficou no meu café forte sem açúcar.

Na minha insônia das três da manhã.

Nas mensagens apagadas antes de enviar.

Nas músicas tristes que eu finjo não ouvir.

Nas ruas que eu evito passar.

Nos domingos silenciosos.

Nos “e se…” que ainda me perseguem.

E talvez ninguém perceba,

mas há guerras acontecendo dentro de pessoas que continuam sorrindo normalmente.

Ninguém imagina o esforço que é levantar da cama quando o coração ainda está preso em alguém que já partiu.

Ninguém imagina como dói lembrar de alguém que jurou ficar.

Porque amor mal resolvido não termina.

Ele vira fantasma.

Assombra o peito.

Volta em noites chuvosas.

Aparece em sonhos inesperados.

Se esconde dentro de músicas, perfumes, fotografias e horários específicos.

E o mais cruel…

É que às vezes a saudade não vem da pessoa.

Vem da versão de nós que existia quando ela estava aqui.

Eu sinto falta de quem eu era quando você me olhava como se eu fosse o lugar mais bonito do mundo.

Sinto falta da minha risada leve.

Da esperança que eu tinha.

Da calma que existia no meu peito antes da sua ausência transformar tudo em tempestade.

Tem gente que machuca gritando.

Mas você me destruiu em silêncio.

Foi aos poucos.

Nas promessas que não cumpriu.

Nas despedidas mal explicadas.

Nos afastamentos sem coragem.

Na frieza repentina depois de tanta intensidade.

E mesmo assim…

Mesmo depois de tudo…

Meu coração ainda procura você em cada pessoa nova que aparece.

Que ironia cruel, não é?

A gente passa a vida inteira tentando encontrar alguém que fique…

E quando finalmente ama de verdade, a pessoa vai embora levando metade da nossa alma.

Às vezes eu queria voltar no tempo.

Não para mudar alguma coisa…

Mas apenas para viver mais uma vez aqueles segundos em que você segurava minha mão e o mundo parecia menos cruel.

Porque existem abraços que viram moradia.

E quando acabam…

A gente passa o resto da vida sentindo frio.

Eu sei que deveria seguir.

Todo mundo diz isso.

“Supera.”

“Esquece.”

“O tempo cura.”

Mas ninguém fala sobre como certas saudades criam raízes tão profundas que arrancá-las também arranca pedaços da gente.

Tem noites em que eu converso com o vazio imaginando respostas que nunca vieram.

Tem madrugadas em que releio mensagens antigas como quem visita um cemitério emocional.

Tem dias em que eu sorrio para o mundo enquanto meu coração sangra escondido.

E talvez amar seja exatamente isso:

continuar carregando alguém dentro da alma mesmo quando essa pessoa já escolheu outro caminho.

O amor verdadeiro não faz barulho quando acaba.

Ele ecoa.

Ecoa no peito.

Na memória.

Na ausência.

No silêncio.

E eu ainda escuto você em tudo.

Talvez seja por isso que algumas pessoas escrevem tanto.

Porque existem dores que não cabem no coração.

Elas transbordam pelas palavras.

Então eu escrevo.

Escrevo porque sentir demais está me destruindo lentamente.

Escrevo porque ainda existe amor aqui dentro.

Escrevo porque talvez, em algum lugar, alguém esteja lendo isso agora com os olhos cheios de lágrimas, tentando sobreviver à mesma saudade.

E se você também sente falta de alguém…

Se também existe um nome que aperta seu peito toda manhã…

Se também existem lembranças que doem mais do que deveriam…

Então sente aqui comigo.

Porque algumas almas nunca superam.

Elas apenas aprendem a conviver com a ausência.

—Paulinha Cunha—

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