SE EU FOSSE LÁGRIMA...
Eu queria ser uma lágrima tua,
mas não qualquer lágrima…
queria ser aquela que nasce no instante exato
em que o teu silêncio grita mais alto que o mundo.
Queria brotar no fundo dos teus olhos
como um segredo que você nunca contou,
como um sentimento antigo
que mora em você sem saber o próprio nome.
Queria ser feita da tua saudade,
daquilo que você perdeu e ainda sente,
ou talvez do amor que você guarda
sem coragem de entregar completamente.
Eu queria existir no teu olhar
antes mesmo de cair,
só pra contemplar o universo inteiro
que existe dentro de você…
Porque dizem que os olhos revelam,
mas os teus…
os teus transbordam.
E então, lentamente,
eu começaria a escorrer pela tua face,
desenhando caminhos invisíveis
como se estivesse escrevendo uma poesia
que só o coração entende.
Passaria pelas tuas bochechas
como quem aprende o teu toque,
como quem descobre que a pele
também guarda memórias.
E nesse percurso silencioso,
eu levaria comigo tudo aquilo que você sente
e não diz,
tudo aquilo que você esconde
até de si mesma…
Seria tua dor…
mas também tua libertação.
Seria tristeza…
mas também prova de que você sente.
E quando finalmente chegasse
à tua boca…
ah, tua boca…
não seria apenas o fim do meu caminho,
seria o instante mais bonito da minha existência.
Porque ali,
entre o gosto salgado da lágrima
e o calor do teu respirar,
eu entenderia que até a dor
pode ser delicada quando vem de você.
E então eu morreria…
mas não como algo que se perde —
eu morreria como algo que se transforma.
Porque morrer em você
não seria fim…
seria eternidade.
Seria fazer parte do teu sentir,
do teu instante mais vulnerável,
do teu momento mais verdadeiro.
E, se eu pudesse escolher,
eu não pediria para ser sorriso,
nem alegria passageira…
Eu escolheria ser lágrima.
Porque a lágrima
é a única que conhece
o peso real de um sentimento,
o silêncio de uma dor,
e a profundidade de um amor
que ninguém vê…
mas que existe.
E no fim,
eu ainda escolheria você…
mil vezes você…
em todas as formas,
em todos os instantes,
em todas as quedas.
Porque até cair de você
seria um privilégio.
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—Paulinha Cunha—
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SE EU FOSSE LÁGRIMA... Eu queria ser uma lágrima tua, mas não qualquer…