Se um dia você voltar a sentir o que fingiu esquecer…
Há um silêncio que não é ausência de som,
é presença demais de tudo o que você deixou.
Um eco preso entre o que fomos e o que não teve coragem de ser,
um amor que não morreu… só aprendeu a se esconder.
Eu te procurei nas horas em que o mundo ficava mais vazio,
naquelas madrugadas em que a saudade não pede licença,
ela entra, senta ao lado do peito
e começa a revirar memórias como quem procura abrigo.
Você foi a promessa que o destino escreveu bonito,
mas não teve coragem de cumprir.
E eu…
eu fui o sentimento que insistiu em existir
mesmo quando já era tarde demais para caber em nós dois.
Dói de um jeito estranho,
não é ferida aberta…
é ferida lembrada.
É como se o coração ainda te reconhecesse
mesmo quando a razão já tentou te esquecer mil vezes.
Eu aprendi a sorrir com saudade,
a fingir força enquanto desabo por dentro,
a seguir em frente carregando o que ficou parado em você.
Porque você ficou.
Mesmo indo embora.
Ficou nas músicas que não consigo mais ouvir sem sentir falta,
nos lugares que perderam a cor depois da sua ausência,
no toque imaginário que minha memória insiste em repetir.
E às vezes eu me pergunto…
se em algum canto de você
ainda existe um vestígio do que fomos,
ou se você apagou tudo com a facilidade de quem nunca se afogou no mesmo amor.
Mas eu não apaguei.
Eu não soube.
Ou talvez não quis.
Porque tem amores que não acabam,
só aprendem a doer em silêncio.
E se um dia você voltar a sentir o que fingiu esquecer…
talvez entenda
que a saudade não é sobre o outro,
é sobre o que a gente perdeu dentro de si mesmo ao deixar alguém ir.
—Paulinha Cunha—
#PoesiaProfunda #SaudadeQueDói #AmorMalResolvido #PoesiaRomântica #SentimentosReais