SEDUÇÃO DA MEMÓRIA
Há memórias que não passam… apenas mudam de forma dentro de nós.
Viraram perfume invisível no ar da lembrança,
toques que não tocam mais a pele,
mas ainda percorrem a alma como se nunca tivessem ido embora.
Eu te lembro em silêncio.
Não como quem chama pelo passado,
mas como quem reconhece uma presença que insiste em morar dentro do peito.
Porque certas histórias não terminam…
elas apenas aprendem a respirar mais baixo.
E quando a noite cai,
é como se o tempo abrisse uma fenda discreta
para que tudo aquilo que foi vivido volte a caminhar por dentro.
Teu nome não é mais dito em voz alta,
mas ainda ecoa nos cantos mais escondidos da minha memória,
onde a saudade não pede licença, apenas entra.
E eu deixo.
Deixo porque há uma estranha doçura naquilo que já doeu,
uma sedução silenciosa naquilo que não se pode mais tocar.
A memória tem esse poder:
de transformar ausência em presença,
distância em proximidade,
e fim em eternidade imaginada.
E assim eu sigo…
entre o que fui contigo
e o que ainda sou quando te lembro.
Porque algumas lembranças não querem ser esquecidas.
Elas querem apenas continuar existindo dentro de quem sente demais.
—Paulinha Cunha—
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