A lua me contou segredos
naquela noite em que o silĂŞncio
era mais alto que qualquer palavra,
e o vento, tĂmido,
apenas acariciava as memĂłrias
que eu fingia nĂŁo sentir.
Ela desceu mansa sobre mim,
como quem conhece minhas dores,
como quem já viu meu coração
se despedaçar em mil luas partidas,
espalhadas pelo céu dos meus pensamentos.
“Nem toda saudade é ausência”,
ela sussurrou com sua luz prateada,
“às vezes é só o amor
procurando um lugar pra morar
dentro de quem ficou.”
E eu fiquei…
fiquei ali, parada no tempo,
segurando lembranças como quem segura areia,
vendo escorrer entre os dedos
tudo aquilo que um dia foi eterno
e hoje Ă© apenas um eco distante.
A lua sorriu —
sim, eu juro que ela sorriu —
como se entendesse cada lágrima
que eu escondia atrás dos meus olhos cansados.
Ela me mostrou que a noite
nĂŁo Ă© o fim da luz,
mas o começo de um brilho mais Ăntimo,
mais profundo,
mais verdadeiro.
E ali, naquela conversa muda,
descobri que também sou feita de fases,
de partidas, retornos,
de silĂŞncios que gritam
e de sentimentos que transbordam
mesmo quando tento conter.
A lua guarda segredos,
mas naquela noite
ela decidiu me revelar um:
— “Você ainda sabe amar.”
E isso doeu…
porque amar, Ă s vezes,
Ă© carregar um universo inteiro
dentro de um peito pequeno demais.
Mas também curou…
porque amar
Ă© a Ăşnica forma de ainda se sentir vivo
mesmo quando tudo parece perdido.
EntĂŁo eu fechei os olhos,
respirei fundo
e deixei que a luz da lua
iluminasse os cantos escuros
da minha alma cansada.
E pela primeira vez em muito tempo,
não tive medo da escuridão…
porque entendi
que até ela
guarda sua prĂłpria beleza.
E desde entĂŁo,
toda vez que a noite chega,
eu olho para o céu
e sorrio de volta —
porque sei…
que a lua ainda guarda meus segredos
e, em silĂŞncio,
continua cuidando de mim.
✨🌙
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—Paulinha Cunha—