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Somente a Saudade Sabe

Somente a Saudade Sabe
Somente a saudade sabe
o peso exato de um nome
quando ele ecoa no peito
e ninguém mais escuta.

Somente a saudade entende
o silêncio que grita por dentro,
quando o mundo continua girando,
mas o coração insiste em ficar parado
no mesmo instante em que você partiu.

Há dias em que sorrio por fora,
mas por dentro caminho descalça
sobre lembranças que ainda ardem,
como brasas que o tempo não apaga.

Porque somente a saudade sabe
o quanto dói lembrar de tudo
com a nitidez de quem ainda vive
cada detalhe do que já acabou.

Ela sabe do toque que não volta,
do abraço que virou ausência,
do olhar que agora mora apenas
nas fotografias da memória.

Somente a saudade conhece
as conversas que repito em silêncio,
as palavras que nunca disse,
e as que disse tarde demais.

Ela me visita sem avisar,
no meio da noite,
no meio de um riso,
no meio de um dia qualquer
em que tudo parecia estar bem.

E de repente não está.

Porque somente a saudade sabe
como transformar pequenos momentos
em eternidades impossíveis de esquecer.

Sabe como um perfume antigo
pode trazer de volta um universo inteiro,
como uma música qualquer
pode abrir feridas que pareciam fechadas.

Somente a saudade entende
esse amor que não termina,
mesmo quando já não existe presença,
mesmo quando tudo virou passado.

E eu sigo...
carregando você em pedaços,
em gestos,
em pensamentos distraídos,
em tudo aquilo que ainda insiste
em ser nós.

Porque amar, às vezes,
é aprender a conviver com a ausência,
é abraçar o invisível,
é sobreviver ao que ficou.

E somente a saudade sabe
o quanto ainda existe de você em mim.

—Paulinha Cunha—

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