SUSPIROS DE ONTEM
Há lembranças que dormem nas esquinas da mente,suspiros que ecoam em corredores silenciosos,
como se o vento guardasse segredos antigos,
e cada sombra lembrasse o que já foi amado,
perdido, desejado, mas jamais esquecido.
Ontem dança diante dos meus olhos cansados,
em tons de dourado e cinza,
em cada riso que se perdeu no tempo,
em cada lágrima que escorreu sem aviso,
em cada promessa sussurrada ao luar.
Me lembro do calor das mãos que se entrelaçavam,
dos olhares que não precisavam de palavras,
das conversas que se estendiam até a madrugada,
como se o mundo inteiro pudesse esperar
o instante perfeito de um abraço.
E no silêncio, ouvi teu nome em meus pensamentos,
como uma melodia que insiste em tocar,
como um perfume que permanece na roupa,
como se o tempo não tivesse coragem
de apagar o que fomos, de fato, um dia.
Suspiros de ontem ainda moram aqui dentro,
no fundo da alma, nos cantos do coração,
cada lembrança uma estrela que insiste em brilhar,
cada memória uma ponte para o que fomos,
um eco que recusa o esquecimento.
E mesmo que a vida nos leve a caminhos distantes,
mesmo que o mundo nos separe sem aviso,
mesmo que outros abraços tentem preencher
o espaço que deixaste em mim,
eu ainda guardo teu riso como um tesouro sagrado.
Talvez seja loucura, talvez seja saudade,
talvez seja o amor que insiste em resistir,
ou simplesmente a certeza de que certas coisas
não se perdem com o tempo,
mas se transformam em suspiros eternos.
Hoje, olho para o céu e vejo sombras de nós dois,
sorrindo nos brilhos das estrelas,
dançando nos ventos que passam,
suspiros que se encontram em lembranças,
e um amor que, mesmo em silêncio, ainda fala.
Pois suspiros de ontem não morrem,
eles vivem em cada sorriso discreto,
em cada lembrança que vem sem avisar,
em cada lágrima que escorre silenciosa,
em cada batida que ainda diz: “eu te amei”.
E assim, sigo com os suspiros de ontem,
como quem carrega um livro que nunca termina,
como quem lê e relê páginas de emoção,
como quem acredita que o amor,
mesmo distante, nunca se rende.
—Paulinha Cunha—
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