Sussurros de Ontem
Sussurros de ontem ecoam entre os muros do meu silêncio,
como ventos que carregam promessas esquecidas,
como folhas que dançam sem rumo nas calçadas molhadas.
Há lembranças que se escondem nas frestas do tempo,
sorrindo em sombras,
chorando em sussurros que só meu coração ouve.
No espelho da saudade, vejo teus olhos brilhando,
mas são reflexos de um ontem que nunca volta,
como se cada segundo perdido fosse uma pétala caída
num jardim secreto que ninguém visita mais.
Caminho por ruas cheias de lembranças,
e cada passo é um compasso de dor e encanto,
cada esquina guarda teu perfume antigo
e o riso que me ensinou a voar, mesmo com os pés no chão.
E eu me pego falando contigo nas horas vagas,
como se a noite pudesse te trazer de volta,
como se cada estrela tivesse teu nome gravado,
como se o vento que toca meu rosto sussurrasse teu abraço.
Mas os sussurros de ontem são apenas ecos,
palavras que se desfazem antes de chegar aos meus lábios,
e ainda assim, eu os escuto,
porque em cada eco, há um pedaço de nós,
há a eternidade de um sentimento que não morreu.
E quando a saudade aperta, eu escrevo teus nomes nas nuvens,
desenho tua voz no papel, tento tocar o que se foi,
porque há belezas que só existem na memória,
há amores que só vivem nos silêncios da alma.
Sussurros de ontem…
eles me guiam, me ferem, me ensinam a ser inteira,
me lembram que tudo que foi bom valeu cada lágrima,
cada sorriso, cada adeus não dito.
E mesmo que o tempo nos separe,
mesmo que as mãos nunca se encontrem novamente,
eu guardo cada instante como ouro,
porque sussurros de ontem são jóias de eternidade,
e em cada lembrança tua,
eu descubro que o amor verdadeiro nunca se despede.
Entre o ontem e o hoje, entre o suspiro e o silêncio,
aprendi que o coração fala em murmúrios,
que a vida é feita de despedidas suaves
e reencontros na memória.
E assim sigo, caminhando com teus sussurros,
como quem carrega estrelas na palma da mão,
como quem não teme o tempo,
porque cada lembrança tua é um universo inteiro,
e eu sou só a viajante,
desbravando o infinito de nós dois.
— Paulinha Cunha —
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