talvez ela não se importe com o porquê
Minha mãe entra no quarto, encara a pilha de lençóis na cama. Eu estou no meio deles, como numa espécie de casulo. Ela sempre me olha desse jeito; já percebeu que é como se tivessem arrancado minhas baterias, como se eu estivesse eternamente no piloto automático. Me pergunto se, um dia, eu tiver filhos, eu vou acabar desse jeito, sem me preocupar com o porquê minha filha permanece na cama às três da tarde e sem me questionar o porquê de ela ser tão vazia.
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