TALVEZ EM OUTRA VIDA EU AINDA TE ENCONTRE SEM DOR
Talvez em outra vida
você tivesse me amado sem medo.
Sem essa pressa de fugir quando o sentimento começava a ficar sério,
sem esse silêncio que você usava como escudo
sempre que o amor batia na porta.
Talvez em outro tempo
nossas almas não chegassem tão quebradas uma na outra.
Talvez elas viessem inteiras,
sem cicatrizes antigas,
sem histórias mal resolvidas
que sangram no meio do caminho
quando alguém tenta amar de verdade.
Mas nesta vida…
nós fomos dois quase.
Dois “quase amores”.
Dois “quase deu certo”.
Dois corações que se reconheceram rápido demais
e se perderam ainda mais rápido depois.
Eu ainda lembro de você
nos detalhes que ninguém vê.
No jeito como o seu olhar parecia prometer eternidade
mesmo quando suas mãos já estavam soltando as minhas.
E isso dói…
porque promessas também deixam marcas
quando não encontram morada.
Eu te procurei nos dias comuns,
nos silêncios da noite,
nas músicas que insistem em tocar o que a gente tentou esquecer.
Mas você nunca voltou inteiro.
E eu também nunca mais fui a mesma.
Talvez o nosso erro tenha sido esse:
nos amar no tempo errado
como se o amor bastasse sozinho
sem maturidade, sem cura, sem coragem.
Hoje eu entendo…
nem todo amor que é verdadeiro consegue ficar.
Alguns apenas passam por nós
para ensinar o que a gente não sabia
sobre partir por dentro sem morrer por fora.
E mesmo assim…
ainda existe uma parte minha
que acredita nessa frase proibida:
“talvez em outra vida”.
Onde você não tenha medo.
Onde eu não tenha saudade.
Onde nós não precisemos nos perder
para entender o quanto fomos reais.
E se existir mesmo esse outro tempo…
eu espero que você me reconheça de novo.
Mas dessa vez…
fique.
—Paulinha Cunha—
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