Te Amo Mesmo Longe
Te amo mesmo longe…e essa distância não sabe o que fazer comigo,
porque ela não te apaga, não te diminui,
apenas me amplia em saudade.
Te amo mesmo longe,
quando a noite cai devagar sobre mim
e o silêncio se deita ao meu lado como se fosse você,
fingindo presença, enganando o coração.
Há um tipo de amor que não se desfaz com o tempo,
não se quebra com a ausência,
não se perde no caminho…
ele apenas fica.
Fica em mim como uma ferida que não cicatriza,
mas também não deixa de bater.
Sinto sua falta nos detalhes mais cruéis:
no som que você não faz,
no abraço que não chega,
na mensagem que não vibra mais na tela,
no olhar que já não encontra o meu.
Te amo mesmo longe,
mesmo quando finjo força para seguir o dia,
mesmo quando sorrio para esconder o vazio
que você deixou espalhado dentro de mim.
E existe uma parte de mim
que ainda te espera sem admitir,
que ainda te procura nas esquinas do pensamento,
como se o destino pudesse errar o suficiente
para te trazer de volta por engano.
Mas você não está aqui.
E ainda assim… está em tudo.
Está na música que eu evito ouvir,
na lembrança que insiste em voltar,
no toque imaginário que minha pele reconhece,
mesmo sem nunca mais sentir.
Te amo mesmo longe,
com um amor mal resolvido,
daqueles que não sabem terminar,
só continuar doendo em silêncio.
E dói…
dói de um jeito que não tem nome,
dói como saudade que aprendeu a morar na alma,
dói como se cada lembrança fosse uma volta sua
que nunca acontece.
Ainda assim, eu te amo.
Não porque é fácil,
mas porque esquecer você
seria esquecer uma parte inteira de mim.
E talvez seja isso o amor:
não a presença,
mas a insistência de sentir
mesmo quando tudo já foi embora.
Te amo mesmo longe…
e talvez, em algum lugar dentro de mim,
você ainda esteja aqui.
—Paulinha Cunha—
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