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TE GUARDO EM MIM

TE GUARDO EM MIM

Te guardo em mim como quem guarda o último sopro de um amor que não teve coragem de ir embora por completo.

Te guardo nos espaços silenciosos entre um pensamento e outro, onde ninguém mais consegue entrar, mas você insiste em morar.

Há dias em que o tempo finge que passou, mas ele só aprendeu a disfarçar tua ausência.

E eu aprendi a sorrir por fora enquanto por dentro ainda te chamo baixinho, como quem chama um nome que não pode ser dito em voz alta.

Te guardo em mim na forma de lembrança que não cicatriza,

na forma de saudade que não pede licença,

na forma de um amor mal resolvido que não encontrou final, só continuidade em silêncio.

Porque você foi embora, mas não foi.

Partiu, mas deixou pedaços espalhados em mim como se eu fosse um lugar onde você sempre volta sem precisar bater na porta.

E eu sigo assim… inteira por fora,

mas habitada por você por dentro.

Te guardo nos dias frios em que a solidão fala mais alto.

Te guardo nas noites longas em que o coração insiste em lembrar o que a razão tenta esquecer.

Te guardo até nos sonhos, onde você ainda me olha como se nada tivesse acabado.

E talvez não tenha mesmo.

Talvez o amor não termine, apenas aprenda a viver escondido dentro da gente.

Te guardo em mim como quem guarda uma ferida bonita que dói… mas não deixa de ser parte da história.

E se um dia alguém perguntar onde você está,

eu não saberei responder com palavras.

Apenas direi:

você ainda mora aqui.

— Paulinha Cunha —

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