Tem saudades que não passam… apenas aprendem a sangrar em silêncio.
Eu tentei esquecer você.
De verdade.
Tentei ocupar meus dias, minhas noites, meus pensamentos…
mas existem pessoas que entram na alma da gente
como tempestades entram no mar:
destruindo tudo,
mudando tudo,
e deixando marcas impossíveis de apagar.
Você foi isso.
Uma eternidade curta.
Um amor bonito demais para durar
e intenso demais para morrer.
Às vezes ainda converso com você em pensamentos.
Imagino respostas que nunca chegaram.
Releio memórias como quem toca cicatrizes antigas
só para sentir novamente aquilo que um dia foi lar.
E dói.
Meu Deus… como dói.
Dói porque o amor não acabou.
Acabou foi a chance.
Acabou o tempo.
Acabou o “nós”.
Mas o sentimento continuou vivo, respirando dentro de mim
como uma ferida que se recusa a fechar.
Tem noites em que a saudade pesa tanto
que parece ocupar espaço dentro do peito.
Como se respirar fosse lembrar.
Como se existir fosse carregar você comigo.
E talvez seja.
Porque existem pessoas que vão embora fisicamente…
mas deixam a alma delas morando dentro da nossa.
Você partiu,
mas deixou teu cheiro nos meus domingos tristes,
tua voz perdida nas músicas que evito ouvir,
teu nome escondido nas madrugadas silenciosas
em que meu coração insiste em procurar o teu.
Eu queria entender por que alguns amores chegam tão intensos
se não foram feitos para ficar.
Por que certas conexões parecem destino
e terminam como despedida.
Talvez a vida seja cruel assim.
Talvez algumas pessoas nasçam apenas para ensinar o que é amar profundamente…
mesmo que isso custe pedaços da nossa alma.
E custou.
Custou meus sorrisos mais sinceros.
Minha paz.
Meu sono.
Minha capacidade de acreditar que alguém poderia ficar.
Depois de você,
eu virei alguém que sente demais e fala pouco.
Alguém que sorri por educação
enquanto o coração desaba em silêncio.
Porque ninguém percebe a dor de um amor mal resolvido.
As pessoas enxergam apenas o fim…
mas não fazem ideia das guerras que continuam acontecendo dentro da gente.
Ninguém vê as mensagens apagadas antes de enviar.
Os textos escritos na madrugada.
As lágrimas escondidas no banho.
As músicas repetidas mil vezes só para sofrer mais um pouco.
Ninguém vê o vazio.
E o vazio que você deixou
não parece ausência.
Parece amputação.
É estranho sentir saudade de alguém que ainda existe no mundo.
Saber que você continua vivendo, respirando, sorrindo…
e mesmo assim estar tão distante de mim
como se pertencêssemos a universos diferentes agora.
Às vezes penso se você sente minha falta também.
Se em algum momento do dia
meu nome atravessa teus pensamentos sem pedir licença.
Se alguma música te desmonta.
Se algum cheiro te leva até mim.
Se algum silêncio lembra nós dois.
Mas talvez eu nunca descubra.
E talvez essa seja a pior parte do amor mal resolvido:
as perguntas sem resposta.
O “e se”.
O “talvez”.
O “quase”.
Os sentimentos que ficaram presos entre orgulho e silêncio.
Porque a verdade é que nós fomos quase tudo.
Quase eternos.
Quase felizes.
Quase um lar.
E ironicamente…
os “quases” costumam machucar mais do que os finais definitivos.
Você foi meu amor mais bonito
e minha dor mais profunda.
Foi a pessoa que mais me fez acreditar no amor
e também a que mais me ensinou sobre saudade.
Hoje eu entendo que existem lembranças
que nunca deixam de doer.
A gente apenas aprende a sobreviver com elas.
Então sigo.
Mesmo quebrada.
Mesmo sentindo tua falta em cada detalhe pequeno da vida.
Mesmo carregando no peito esse amor que não encontrou lugar para descansar.
Porque algumas histórias não terminam.
Elas apenas continuam vivendo dentro da gente.
E você…
vai morar em mim por muito tempo.
Talvez para sempre.
—Paulinha Cunha—
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