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Teu Olhar Me Persegue

Teu Olhar Me Persegue

Teu olhar me persegue mesmo quando fecho os olhos,
como se cada sombra carregasse tua presença,
como se cada vento sussurrasse teu nome,
e meu coração, teimoso e desnorteado,
batesse no compasso de teus silêncios.

Vejo-te em cada esquina da minha memória,
em cada reflexo que dança na água calma,
em cada estrela que insiste em brilhar quando eu penso em ti.
Não é só lembrança, não é só desejo:
é prisão doce e cruel,
é corrente invisível que me arrasta
para o lugar onde teu olhar me domina.

Tento escapar, mas teu rastro é eterno.
Teu sorriso acende labaredas nos meus dias cinzentos,
teu silêncio ecoa nas paredes do meu peito,
teu perfume se insinua entre meus pensamentos
como se nada pudesse me libertar de ti.

Às vezes, penso que invento tudo,
mas a realidade é mais cruel que a fantasia:
teu olhar me encontra mesmo quando tento não ver,
me toca mesmo quando tento me afastar,
me prende mesmo quando finjo não sentir.

Sinto que és vento e tempestade,
mar calmo e tsunami,
um enigma que meu coração não sabe decifrar.
E, ainda assim, não quero decifrar,
porque perder teu olhar seria perder o ar,
perder o chão, perder a razão que insiste em me levar a ti.

No silêncio da noite,
quando o mundo parece dormir,
teu olhar se deita sobre mim,
me envolve, me consome,
e eu me deixo levar sem resistência,
porque é na tua presença invisível
que descubro que viver é sentir,
e sentir é te encontrar mesmo na distância.

Então sigo, presa e livre ao mesmo tempo,
dançando com teus olhos que me seguem,
em cada esquina da cidade, em cada canto do meu ser,
até que o mundo me diga que não há mais espaço para teu olhar —
mas sei, no fundo,
que ele continuará a me perseguir
enquanto eu existir,
silencioso e ardente,
como uma marca que o tempo não apaga.

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—Paulinha Cunha—
Teu Olhar Me Persegue