Uma Mulher Sensitiva, Observa — um DÉJÀ-VU
Ela não chega,
ela percebe.
Antes mesmo do mundo dizer qualquer coisa,
seu silêncio já traduziu tudo —
os gestos que falham,
os olhares que fogem,
as palavras que escondem mais do que revelam.
Ela é dessas…
que sente o invisível
como quem toca o fogo
e ainda assim aceita a queimadura.
Uma mulher sensitiva não se engana —
ela apenas insiste em acreditar
que, desta vez,
o déjà-vu não será um aviso,
mas um recomeço.
Mas o destino…
ah, o destino é um espelho cruel,
que repete cenas
com pequenas mudanças
só para testar
o quanto ela aguenta doer outra vez.
E ela aguenta.
Porque amar, para ela,
nunca foi leve.
É intenso,
é profundo,
é quase um abismo com nome e sobrenome.
Ela observa —
sem pressa, sem alarde —
como quem assiste a própria história
se desfazendo em detalhes que ninguém mais vê.
E mesmo assim…
permanece.
Porque há saudades
que não nascem da ausência,
mas daquilo que nunca foi inteiro.
Há amores mal resolvidos
que se instalam na alma
como uma música antiga
tocando sem parar
em um quarto vazio.
E ela sente.
Sente antes, durante e depois.
Sente quando ele chega
com promessas que soam familiares demais…
Sente quando ele parte
sem dizer adeus,
porque, no fundo,
ela já sabia.
Déjà-vu.
Não é só lembrança —
é um aviso gritando baixinho:
“Você já viveu isso…
e também já sobreviveu.”
Mas sobreviver
não impede de doer.
A saudade nela
não é leve nostalgia —
é peso,
é eco,
é um aperto que atravessa o peito
e se recusa a ir embora.
Ela ama com a alma aberta,
mesmo sabendo
que alguns amores
são apenas ciclos disfarçados de eternidade.
E ainda assim…
ela tenta mais uma vez.
Porque ser sensitiva
não é evitar a dor —
é reconhecê-la chegando
e, mesmo assim,
não fechar o coração.
Ela observa,
ela sente,
ela sabe.
Mas também ama.
E talvez seja isso
o que mais a machuca…
e ao mesmo tempo
o que mais a mantém viva.
—Paulinha Cunha—
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Uma Mulher Sensitiva, Observa — um DÉJÀ-VU