Versos Que Rasgam o Coração
Há noites em que o silêncio grita mais alto que qualquer palavra dita,
e dentro de mim ecoa teu nome como se nunca tivesse ido embora.
Eu finjo que sigo, mas há partes de mim que ainda te procuram
nos cantos vazios da memória, nas esquinas do pensamento,
nas frestas onde a saudade se esconde para me ferir devagar.
Porque amar você foi como acender uma chama no meio da tempestade,
bonito por um instante…
e devastador para sempre.
Eu aprendi a sorrir com os olhos marejados,
a dizer “estou bem” enquanto por dentro desabo em silêncio,
e a carregar essa saudade que não passa, só muda de lugar dentro de mim.
Às vezes no peito, às vezes na garganta,
às vezes naquele vazio que não sei nomear.
Você virou lembrança que não envelhece,
virou ferida que não cicatriza,
virou ausência que insiste em me abraçar quando a noite cai.
E o mais cruel é isso:
não foi o fim que doeu…
foi o que continuou em mim mesmo depois dele.
Porque existem amores que não acabam,
só se perdem no tempo como cartas nunca enviadas,
como promessas que o destino rasgou antes de cumprir.
E eu sigo aqui, tentando entender
como alguém pode ser tão presente na ausência,
como alguém pode partir e ainda assim ficar.
Talvez o amor não seja sobre ficar…
talvez seja sobre aprender a viver com o que ficou.
E o que ficou em mim…
foi você.
Foi a saudade que respira comigo,
foi o nome que meu coração ainda sussurra sem permissão,
foi esse amor mal resolvido que insiste em não morrer.
Se um dia você sentir falta,
saiba: aqui dentro nunca deixou de existir.
Porque há amores que não se despedem…
apenas se transformam em dor bonita que a gente aprende a carregar.
—Paulinha Cunha—
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