Vestígios do que Fomos
Ficaram pedaços nossos espalhados pelo tempo,como folhas secas que o vento se recusa a levar,
como memórias teimosas que insistem em morar
no canto mais silencioso do meu peito.
Ficaram as risadas que ecoam nas paredes vazias,
os olhares que diziam mais do que qualquer palavra,
os toques que ainda queimam na pele
mesmo depois de tanto tentar esquecer.
Nós fomos tempestade e calmaria,
fomos fogo que aquece e também destrói,
fomos abrigo em noites frias
e distância em dias de sol.
E ainda assim…
mesmo depois do fim,
há algo em mim que não te deixa ir.
Talvez sejam os detalhes,
aqueles pequenos gestos que ninguém via,
o jeito que seu sorriso nascia devagar
como quem tinha medo de ser feliz demais.
Ou talvez seja o silêncio…
aquele silêncio confortável
que só existia quando estávamos juntos,
como se o mundo lá fora deixasse de existir.
Hoje, caminho entre lembranças
como quem pisa em cacos de vidro,
tentando não sangrar,
mas sabendo que algumas feridas
não foram feitas para cicatrizar.
Você se foi…
mas deixou marcas que o tempo não apaga,
rastros invisíveis que me guiam de volta
a tudo que fomos
e a tudo que nunca mais seremos.
E dói…
não por falta de amor,
mas pelo excesso dele,
por tudo que ficou preso no meio do caminho,
por todas as palavras que nunca foram ditas.
Nós fomos quase eterno,
quase perfeito,
quase tudo.
E talvez seja isso que mais machuca:
o “quase”.
Porque o que é inteiro termina,
mas o que não se completa…
permanece.
Permanece nos sonhos,
nos pensamentos distraídos,
nas músicas que tocam sem avisar
e fazem o coração apertar de repente.
Vestígios do que fomos
ainda vivem em mim,
como uma história sem ponto final,
como um amor que aprendeu a existir
mesmo na ausência.
E se um dia o tempo me perguntar sobre você,
eu não direi que foi erro,
nem que foi dor.
Direi que foi intenso.
Direi que foi verdadeiro.
Direi que foi amor…
Mesmo que tenha ficado
apenas nos vestígios.
—Paulinha Cunha—
#PoesiaProfunda #AmorEterno #CoraçãoPartido #Saudade #TextosQueTocam